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“A GÊNESE” DE ALLAN KARDEC

 

     No cap. II de “A GÊNESE”, Allan Kardec  completando o que dissera em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” (cap. I), com argumentos sólidos, refere-se a Deus, “causa primeira de todas as coisas”, cuja existência se prova  por dois axiomas distintos: a) Julga-se uma coisa pelos efeitos que ela produz; b) todo efeito inteligente tem de decorrer de uma causa inteligente. Desta forma, por ser a causa primeira, concebe-se a natureza de Deus sob vários aspectos: (1) possui uma inteligência suprema e soberana; (2) é eterno, ou seja, não teve começo, nem terá fim; (3) é imutável, ou seja, não está sujeito a mudanças; (4) é imaterial, ou melhor, sua natureza difere de tudo que chamamos matéria; (5) é onipotente, porque possui o supremo poder; (6) é soberanamente justo e bom; (7) é infinitamente perfeito; (8) é único, justamente porque possui perfeições infinitas.

     OBSERVAÇÃO: Para Roustaing, Jesus é tão perfeito quanto Deus (um Homem-Deus). por ter sido concebido, milagrosamente, por obra do Espírito Santo, como diz a Santa  Madre Igreja Católica, Apostólica, Romana, ele constitui uma das Pessoas Sagradas da Santíssima Trindade. (Ver “Os Quatro Evangelhos, volume I, págs. 166, 242, 274, 282 e 302 da 6ª. Edição da FEB – Ano 1983).

     No cap. X, nº 26 a 29, Allan Kardec se mostra um evolucionista, adepto da Teoria de Charles Darwin: “Do ponto de vista  corpóreo, puramente anatômico”, disse Kardec, “o homem pertence à classe dos mamíferos, à ordem dos bímanos e à espécie humana e cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior. O corpo humano é o último anel da animalidade na Terra. Podemos, pois, admitir como hipótese, que, pelas semelhanças entre o corpo do homem e o do macaco concluiu-se que o corpo do homem é uma transformação do corpo do macaco, que assim serviu de vestidura aos primeiros Espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados que vieram encarnar na Terra e aqui foram evoluindo, progressivamente, tanto física e intelectualmente, quanto espiritualmente. Foram os chamados homens pré-históricos. (op. cit. cap XI, ns. 15). Mas, - fique isto bem claro a encarnação não é um castigo, uma punição e, sim, “um meio de o homem progredir” (nº 26)  (Grifo nosso).   

     OBSERVAÇÃO.: Roustaing, em sua obra diz que o Espírito, criado por Deus, nasce e evolui fora da matéria. Todavia, se, depois de alcançar um grau bem elevado de progresso, um anjo, na concepção católica, vier a cair por orgulho, inveja ou ateísmo, tornando-se, portanto, um “anjo decaído”, é castigado por Deus, e, como tal, condenado a encarnar na Terra, servindo-se de corpos nada semelhantes aos nossos, porque são, nada mais, nada menos, do que “larvas informes, moles e rastejantes” que ele denominou “criptógamos carnudos” (op. cit. págs. 311 a 316). E, para dar mais ênfase ao seu ponto-de-vista, ele faz questão de declarar, euforicamente:: “Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo(idem, pág. 317)

     No cap. XV, nº 2 de “A GÊNESE”, Allan Kardec deixou bem claro que Jesus era um  “Espírito Superior da ordem mais elevada, que, como enviado de Deus, veio à Terra para cumprir uma divina missão”. Ao encarnar. Portanto, tinha, como todos nós, um corpo espiritual ou perispírito e um corpo físico ou matéria;  era um homem na verdadeira acepção do termo, pois tinha a organização dos seres carnais.

     Mais adiante (nº 65), disse Kardec: “A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu  à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passou, no que diz respeito à sua mãe, como nas condições normais da vida: Maria, legalmente casada com José, teve relações sexuais com ele; engravidou, e, depois de nove meses de gestação, deu à luz um belo menino que veio a se chamar Jesus. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo nos atos de Jesus, na sua linguagem, nas diversas circunstâncias de sua vida, tudo, enfim, revela nele os caracteres inequívocos da corporeidade. São acidentais os fenômenos de ordem psíquica que nele se produzem e se explicam pelas propriedades do seu perispírito. Depois de sua morte, ao contrário, tudo nele revela o ser fluídico”.

     OBSERVAÇÃO: Segundo Roustaing, “Maria, esposa legítima de José, dele engravidou, mas era preciso que ela acreditasse que tudo não passara de pura ilusão, ou seja, sua gravidez foi aparente e não real, como a de qualquer mulher normal. E foi fácil enganá-la..” (Roustaing, “Os Quatro Evangelhos” vol. I, pág. 200 e 202). Assim, ao tomar nos braços o menino recém-nascido, ela foi, facilmente convencida de que o parto não fôra real, normal como o de qualquer mulher, fruto de suas entranhas e sim “obra do Espírito Santo”. Vemos assim que, com a maior naturalidade, Roustaing teve a ousadia de classificar Maria como uma mulher adúltera. E o pior de tudo é que ela, que se tornou tão adorada e idolatrada pela Cristandade, sob diversas denominações, não só dentro das igrejas como também nos centros espíritas e nos terreiros de Umbanda,   nunca protestou; aceitou tudo, humildemente.  Continua virgem, imaculada e pura, e atende de boa vontade àqueles que se prostram reverentes de joelhos diante de sua imagem e lhe dirigem suas orações, fazendo e pagando promessas. O próprio Chico Xavier, carola que era, dirigia-se constantemente a Na. Sa. da Abadia, a santa de sua devoção...

     Em “A GÊNESE”, cap. XV, nº 66, Allan Kardec deixou explícito: “Se Jesus tivesse estado, durante sua vida, nas condições dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor nem qualquer das necessidades do corpo; supor que tenha sido assim, é o mesmo que tirar-lhe todo o mérito da vida de privações e de sofrimentos que ele escolhera como exemplo de resignação. Se tudo nele não fosse senão aparência, todos os atos de sua vida (...) tudo, até seu último clamor, no momento de entregar seu Espírito, não teria sido senão um vão simulacro para enganar sobre sua natureza e fazer crer no sacrifício ilusório de sua vida, uma comédia indigna  de um simples homem honesto quanto mais de um ser tão superior; em uma palavra, ele teria abusado da boa fé dos seus contemporâneos e da posteridade ...

      “Tais são as conseqüências lógicas desse sistema, conseqüências que não são admissíveis, pois o rebaixariam moralmente ao invez de o elevar.

     “Jesus teve, pois, como todo mundo, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que assinalaram sua vida”.

     OBSERVAÇÃO: Allan Kardec disse que houve simulacro, vale dizer simulação, falsificação, fingimento, porque em “Os Quatro Evangelhos” está escrito: “... a gravidez de Maria por obra do Espírito Santo foi aparente, de maneira a produzir ilusão, a fazer crer numa gravidez real” (Vol. I, pág. 195, § 1º – 6ª. edição da FEB) e mais: “... só aparência de gestação houve em Maria, tal como em sua gravidez...” (idem, § 5º). Para convencerem Maria de que sua gestação e seu parto eram reais, “os Espíritos prepostos a magnetizaram, puseram-na no estado de sonâmbulo que vê e acredita, sente e experimenta...” (idem, pág. 199 e 200). Foi nesse estado de sonambulismo provocado pelos Espíritos prepostos que Maria, ao tomar nos braços o menino Jesus, recém-nascido, ficou convencida de que tinha dado à luz, num parto real, um bebê, fruto de suas entranhas. Mas ela estava completamente iludida. Tudo fôra aparente, ilusão pura. E foi fácil enganar Maria, porque “ela era uma simples criança e estava completamente hipnotizada”. (Idem, pág. 200). “Ela era ignorante das leis da matéria carnal e estava só naquele momento em que foi hipnotizada. Não era, pois, cabível, ao contrário, fôra inútil levar mais longe a ilusão de que ela foi tomada” (item, pág. 202.

     Ficou, portanto, assim provado que Allan Kardec, empregando a palavra “simulacroestava coberto de razão. Estava, sim, e mais certo ficou quando leu: “Tudo na vida ‘humana’ de Jesus, foi apenas aparente’ (idem, pág. 243)

     Entretanto, os dirigentes roustainguistas da FEB, como vimos antes (pág. 2) não se conformaram em ver que o Codificador havia empregado, em sua última obra, a palavra “simulacro”.

     Ainda em “A GÊNESE”, que Juvanir Borges de Souza reconhece que, ao escrevê-la, “Kardec contou com a assistência dos Espíritos reveladores (superiores)...”, o Missionário lionês declarou: “Essa idéia sobre a natureza do corpo de Jesus não é nova. No quarto século, (ano 350), Apolinário, (bispo de Laodicéia), chefe da seita dos Apolinaristas, pretendia (ou achava) que Jesus não tinha  tomado um corpo como o nosso (de carne e osso), mas sim um corpo impassível que descera do céu no seio (ou ventre) da santa Virgem e não era nascido dela (ou fruto de suas entranhas); assim, (por conseqüência), Jesus não nascera, não sofrera e não morrera senão em aparência. Os Apolinaristas foram anatematizados durante o Concílio de Alexandria, no ano 360, no de Roma, em 374 e no de Constantinopla, em 381. Os Docetas (nome derivado do grego dokein) seita numerosa dos Gnósticos, que subsistiu (existiu) nos três primeiros séculos, tinham a mesma crença (ou seja, Jesus não foi homem de carne e osso e sim um corpo fluídico ou agênere)” (Ver “A GÊNESE”, cap. XV, nº 67).

     Ismael Gomes Braga, em seu livro “ELOS DOUTRINÁRIOS”, em que diz que “o roustainguismo é um curso superior de Espiritismo” (Ver “Apêndice”, escrito por Zêus Wantuil), confirma o que afirmou Arendzen, professor de Escritura Sagrada de uma universidade inglesa: “que disse que “houve um renascimento das idéias docetistas em círculos espiritistas”, dizendo: “Sim, confirmamos, nós outros, a obra de Roustaing que ressuscitou o pensamento fundamental do docetismo – o corpo fluídico de Jesus”. (pág. 148)

 

NOSSO COMENTÁRIO

      Lembro-me bem quando meu querido e saudoso pai, Severino de Freitas Prestes Filho, em reunião de família, certa vez nos disse, logo que acabou de ler

o livro de Ismael Gomes Braga, supra citado, em sua primeira edição: “- Viram, meus filhos, são esses que defendem essa tese retrógrada de Apolinário e dos Docetas, desrespeitando, portanto, o pensamento de Allan Kardec, que, há anos, vêm dirigindo o movimento espírita brasileiro. Que tristeza!...”

       Eu estava presente e, como tinha lido também  o livro “Erros Doutrinários” de Júlio Abreu Filho, que nada mais é do que uma crítica ao “Elos Doutrinários” de Ismael Gomes Braga, fiz também o meu comentário: “- É, meu pai, você tem toda a razão! Infelizmente o nosso movimento está, todo ele, entregue aos roustainguistas febeanos, aos emmanuelistas e chiquistas! Pois não é que Chico Xavier”, concordando com o Espírito de Humberto de Campos e contando com o aval de Emmanuel (padre Manuel da Nóbrega) e da Diretoria da FEB, teve a coragem de afirmar, ao psicografar o livro “Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho”, que João Batista Roustaing, defensor do moderno docetismo, foi “coadjutor” ou auxiliar de Allan Kardec!!! Que grande absurdo, não é?! Que tremenda mentira!!!...”