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“ESSES ESPÍRITAS !”

                                      Moura Rego

    Em nossas visitas a diversas casas espíritas, em nossas navegações de sites da Internet, listas de debates, salas de chat, coisa que fazemos já de tempos, às vezes, e não são poucas, nos defrontamos com colocações, pensamentos e mesmo ações que nos deixam chocados. Parece-me que há uma orquestração do Plano das Sombras, a surtir efeito nocivo e adoecido dentre certos confrades...           

    Vemos e ouvimos de tudo...Tudo alinhavado com a linha podre da falácia e pela agulha rombuda da ignorância doutrinária. Se há os que se esforçam em dizer a doutrina em sua pureza e retidão, há também os que a deturpam e a atrofiam. Tudo por força de seus quereres, de suas vontades... É como se a Doutrina, que lhes deveria ser o exemplo de conduta, fosse apenas a velha e rota colcha de retalhos que em vão lhes tenta minorar o frio de suas existências no erro.

     Já vimos de tudo... De diretores de casas espíritas, que fecham grupos jovens e excluem professores de cursos espíritas somente porque estes não lhes apóiam as idéias divorciadas do cerne doutrinário; já escutamos de palestrantes, afirmações que retratam tão somente suas  opiniões pessoais, a serem colocadas como doutrinariamente corretas, mas sem nenhum apoio da obra trazida pela plêiade de Espíritos que, com o Codificador, trabalhou. Vimos de coordenadores de chat Espíritas, ações que vetam a entrada de alguns participantes que lhes sejam contrários às idéias, como se a estes não fosse dado o direito do aprendizado ou das colocações, quando os contradizem, se afirmam que tal e tal palavra é desta ou daquela missiva do Espírito tal... Pior ainda, de falarem estes pelas costas, acusando, denegrindo, enxovalhando o nome daquele que lhes foi contrário, e tudo como forma de defenderem suas idéias ao divórcio do que diz a Doutrina. A coisa chega a tal vulto que, por vezes, pensamos: - Será que estamos na Doutrina correta?!

Não, não é a Doutrina que erra e sim aqueles que, em se esquecendo de que também são Espíritos em marcha inicial da evolução, esquecem-se de que podem ser vitimados pelos mesmos acometimentos que apontam, mais das vezes levianamente, em outras pessoas. Pensam-se imunes a tudo, senhores da razão e da verdade absoluta. Dessa maneira, abrem as portas de suas casas mentais à ação dos pestilentos bacilos do Egoísmo e da Vaidade, pai e mãe de todas as chagas morais. E adoecem-se a si próprios.

     Alguns amigos nos perguntam o porque de tais cometimentos serem ação de pessoas com muito tempo de Doutrina, como se a Doutrina pudesse modificar alguém só por que este se diz Espírita...

     Não é assim que a banda toca! Ela, a Doutrina Espírita, dá-nos a nós, todo o ferramental necessário a que nós mesmos possamos estat a efetivar o trabalho que a nós é conferido na obra da Regeneração. Sim, somos nós, e somente nós, que devemos estar a trabalhar as nossas imperfeições, este o primeiro de todos os trabalhos no Bem que devamos executar por alguém e este alguém somos nós mesmos!

     Nossa transformação interior depende de nós, a Doutrina dá-nos a correta luz, que nos há de nortear o caminho e as ações, mas não compete a Ela fazer por nós o que nós temos de fazer diante da Lei do Progresso. Esta a nossa missão. E esta nos concita a labor diário, perseverante e sério, sem o qual viveremos mais tempo no descaminho da moral , na incompreensão, na cegueira e na dor.

     Sem Vontade resoluta, sem trabalho, sem estudo aprimorado e correto, sério e grave, tal como é a Doutrina, nada nem ninguém se transforma. É necessário este processo, esta “via crucis”, é por meio destes que se operará a nossa regeneração. O simples dizer-se Espírita pouco vale, não modifica. Somente o conhecimento da doutrina, decorada e friamente declamada não transforma. O viver hipocritamente adoece e alija do aprendizado o Espírito que descura desse que a mim me soa, como o “Orar e vigiar” verdadeiro. Assim não se faz Espiritismo, senão o espiritismo à moda da casa.

     Reconheço serem palavras duras, mas são notícias verdadeiras, que maculam  o cenário do Movimento Espírita, no Brasil e fora dele. E esta verdade nos aparece à frente, quando andamos a olhar nossos confrades diante de suas ações.

     Mas, nem tudo está perdido! Se há ainda “macacos em lojas de louças”, lembrando o saudoso José Herculano Pires, de outra feita, há também irmãos de ideal que enobrecem o trabalho de propagação e divulgação da Doutrina dos Espíritos, em nossa terra e além dela. São estes a quem o Mestre deva ter marcado na testa, como seus trabalhadores mais fiéis. Esta é a nossa alegria! São estes que fazem com que o Edifício Doutrinário continue a ser erigido em solo firme, em bases fortes e corretas, de modo a não ruir ante as pequenas ventanias...” (Apresentado na Sala de Filosofia Espírita Paltalk).