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MOURA RÊGO E CHARLES DARWIN

 

                Recebemos do confrade e bom amigo Raimundo de Moura Rêgo Filho um e-mail em que faz algumas considerações sobre o que escrevemos a respeito do tema “origem e evolução das espécies” de acordo com o pensamento de Allan Kardec.

            Fizemos então uma nova leitura do que está em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” e em “A GÊNESE” e chegamos à conclusão de que são procedentes suas restrições ao que escrevemos. No primeiro (Parte II, cap. XI, nº 611), lançado em abril de 1857, ficou bem claro que o Espiritismo não aceita a tese da metempsicose, ou seja, a encarnação do Espírito do homem no corpo de um animal, o que seria um retrocesso, já que o Espírito não retrograda.

            Quando Darwin, em seu livro, lançado dois anos depois de “O Livro dos Espíritos”, ou seja, em 1859, diz que a espécie humana teve sua origem no macaco denominado antropóide superior, na verdade, está se referindo ao que os Espíritos chamaram “princípio inteligente, que já atingiu o grau de progresso necessário para entrar no período de humanização”. Portanto, “já não guarda mais relação com o seu estado primitivo e já não é mais a alma dos animais, assim como a árvore já não é mais a semente”. (Questão 611)

            Em seu livro “A GÊNESE”, cap. XI, Allan Kardec, interpretando o pensamento dos Espíritos Superiores que lhe davam assistência, deixou bem claro que devido à “semelhança que há entre as formas exteriores do corpo do homem e as do corpo do macaco, não é impossível que aquele tenha sido a transformação deste, como concluíram os fisiologistas”.

 

Kardec fez questão de frisar: “Fique bem entendido que aqui unicamente se trata de uma hipótese, de modo algum posta como princípio doutrinário”. (Ver nº 10 e 15) E é apresentada aqui “apenas para mostrar que a origem do corpo humano, em nada prejudica o Espírito, que é o ser principal.

E também para mostrar que a semelhando do corpo do homem com o do macaco, não implica paridade entre o seu Espírito e o do macaco”.      

           

            “Admitida essa hipótese”, continua Kardec, “pode dizer-se que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou (...) Deu origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à medida em que o Espírito progrediu. Assim, o Espírito do macaco continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco. Por sua vez o Espírito humano procriou corpos de homens (homem e mulher)” 

               

                “Assim, do ponto de vista corpóreo e puramente anatômico, o homem pertence à classe dos mamíferos, à ordem dos bímanos”.

            Em resumo: como homem de ciência que era, Allan Kardec encarou com naturalidade a teoria da origem e evolução das espécies. E, como de fato existe mesmo muita semelhança entre as formas externas do corpo do homem e o do macaco, “não considerou impossível que corpos de homens tenham sido a transformação dos corpos de macacos (antropóides superiores). É bem provável, pois, que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros Espíritos humanos, que encarnaram na Terra, forçosamente, pouco adiantados, pouco evoluídos, ou seja, primitivos”.

            Mas, para Kardec, tudo não passava de hipótese, “de modo algum colocada como princípio doutrinário”....

             Pergunto então ao amigo e confrade Moura Rêgo: - E agora, companheiro, consegui esclarecer bem a questão? Espero que sim.